O DRAMA CONSERVADOR (E PROGRESSISTA) DE SÃO PAULO

O provável desastre eleitoral de Geraldo Alkmin e Marina Silva surpreendeu os conservadores com incômoda opção: descarregar os votos em Ciro Gomes ou em Fernando Haddad. Se a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno se confirmar, nem mesmo os cálculos de marqueteiros (de centro e de esquerda), especulando com a absorção dos votos de Álvaro Dias, João Amoedo, um naco de Marina Silva e, Deus seja louvado, peregrinos bolsonarianos desiludidos, prometem a presença de Geraldo Alkmin no segundo turno.

Impossível não é, bem como a conquista por Haddad do segundo lugar, embora chegando com atraso às fulminantes previsões dos clínicos em opinião pública. Mas, e se nem Jair Bolsonaro, cujas razões de êxito não são esclarecidas pelos xingamentos recebidos em abundância, e nem Fernando Haddad confirmarem as precipitadas loas à genialidade de Lula, como se comportarão os conservadores paulistas? Restrinjo-me aos paulistas porque nunca viveram, senão em 2014, eleição maldita para todos eles, a tensão de optar por um estrangeiro. Contudo, não obstante os fogos de artifício de todos os analistas de esquerda, a possibilidade de decisão no primeiro turno entre Haddad ou Ciro, contra Jair, não é assunto superado, como tenho lido em petistas e tucanos desesperados, para os quais Haddad aparentemente já realizou a mágica, arrebatando o Nordeste, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, por suposto, além do Acre, Rondônia e Amapá, redutos históricos do PSDB. Pode ser que ocorra, mas não ocorreu, e pode não ocorrer.

A página Poder360 trás resultados de pesquisa com três mil entrevistas em São Paulo e Minas Gerais, no período 9-11 de setembro, dia em que Fernando Haddad foi oficialmente anunciado candidato pelo PT à presidência da República. No Sudeste o anúncio não surpreendeu e a transfusão de votos de Lula a Haddad já começara com sua indicação a vice. De agosto a 10 de setembro, véspera da indicação, Haddad crescera de 4% a 9% das intenções de voto, segundo o Datafolha, pulo de cinco pontos percentuais. Entre 10 e 14 de setembro, já oficializado, o candidato do PT passou de 9 a 13% das intenções, salto de mais quatro pontos percentuais, ainda segundo o Datafolha. Depois de várias semanas sem ultrapassar 2% das intenções de voto, o enorme avanço de nove pontos percentuais entre agosto e setembro identifica o processo em curso de transfusão de votos de Lula para Haddad.

Foi no contexto da transfusão já em curso, e em estados nos quais o desconhecimento sobre Fernando Haddad é mínimo, que a pesquisa do Poder360 informa que, em São Paulo, Haddad aparecia com 10% de intenções contra 9% de Ciro, enquanto em Minas Gerais Ciro alcançava 14% das declarações de intenção contra 10% em Haddad. Na pesquisa Datafolha, era Ciro que aparecia com cerca de quatro pontos percentuais acima de Haddad, no Sudeste, No que estão chamando a batalha do Nordeste, região topográfica que, para a crônica paulista, inclui o Norte e o Centro-Oeste, onde o desconhecimento de Haddad pode ser maior, as próximas pesquisas contribuirão para a angústia dos tucanos. À medida que cresce a rejeição à Haddad simultaneamente à difusão de seu nome, a disputa com Ciro, na região, poderá depender do saldo simpatia versus repulsa, aspecto provavelmente de pouca relevância nas votações presidenciais anteriores do PT. Mas agora não se trata de Lula contra Serra ou Alkmin, nem está aferida a consequência eleitoral de Fernando Haddad se apresentar por aí afora como Lula.

Aí é que os conservadores, sobretudo paulistas, pisarão em ovos: Ciro, estrangeiro, ou Haddad, petista, mas, apesar de tudo, nativo. Os cenários elaborados pelos clínicos da opinião pública, traduzindo resultados da pesquisa Datafolha (14/9), me parecem afobados. Ali, o que surge como certa, hoje, é a queda de Marina Silva, mais nada, nem mesmo a consagração antecipada de Jair Bolsonaro.

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