BRASIL SEM PRAZO

Não há mais prazo no Brasil para nada, exceto para as prestações financeiras devidas pelos assalariados. Processos submetidos a perder de vista, prisões preventivas de duração incerta e vazamentos intermitentes mantêm a população desinformada sobre o efetivamente delatado e comprovado, tantas têm sido as promessas de provas estarrecedoras, jamais apresentadas, em certos casos, embora, exuberantes em outros, permaneçam sem consequências. Pelo tratamento oferecido pelo Legislativo, Judiciário e alguma imprensa às confissões de um dos JBF sobre Temer e outros 128 políticos, também foi revogada a natureza devastadora de qualquer descoberta, confissão, vazamento ou delação de crimes do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. A aplicação do Código Penal não depende mais do crime, mas do criminoso. Por enquanto, o procurado Michel Temer mantém sitiada e refém a legalidade da Presidência da República enquanto todas as lideranças conhecidas negociam um acordo que permita anistiar o fugitivo e assegurar a um dos possíveis substitutos de Temer a futura vaga de candidato á Presidência da República pela dobradinha PMDB/PSDB. O maior monte de fichas, por ora, parece ser o de Nelson Jobim.

Ocorre que, a cada dia, reduz-se o prazo em que o afastamento de Michel Temer seria profícuo. Renúncia, cassação pelo TSE, impedimento pelo Congresso, convocação de eleições diretas, todas as opções cobram ritos e velocidades que só as darão por concluídas, qualquer delas, quando já aberto o período de propaganda das eleições de 2018. Só um tolo acreditaria que os negociadores não saibam disso. Estão enganando a população, todos eles, enquanto os militantes aflitos se hostilizam e a esquerda mimetiza o autoritarismo da reação. O pensamento único da esquerda é tão nojento quanto o da direita. Certamente não será por conta do ano de mandato que o substituto de Temer teria, caso saísse amanhã de Brasília, que tanto se parlamenta e tantos negociam.

Listas de palavras de ordem são apresentadas como se fossem programas de governo, sem clara informação sobre o tempo de mandato que exigiriam. Manifestos gordurosos, declarações inócuas e intimidações sucessivas escondem a negociata comprometendo a liberdade de um próximo governo livre de mancebias.  O preço da reação para dispensar Temer é óbvio: preservar e continuar a política anti social e entreguista dos homiziados em Brasília. O preço popular é claro e imperativo: não pode obter substância constitucional um conjunto de leis patrocinadas por Executivo em vias de criminalização e aprovadas por Congresso povoado por número desconhecido de bandidos. O Supremo Tribunal Federal precisa ser convocado sob a pressão das ruas e pelo novo Executivo a se pronunciar sobre esse fenômeno jabuticaba: criminosos legislando sobre o destino do patrimônio de cidadãos inocentes e sobre reservas da soberania nacional.  Especialmente quando a legislação suspeita contraria a agenda votada pelo eleitorado em 2014, a ser ratificada em 2018. Acordo com a reação neste momento significa aceitar a castração constitucional do próximo governo popular. O resto é empulhação.

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