DA LAVA-JATO À ILEGALIDADE

A Lava-Jato começou como investigação de um cartel de empreiteiras associadas para fins criminosos a altos burocratas e políticos e converteu-se, primeiro, em intimidação latente a qualquer prática política e, por fim, óbvia determinação de inutilizar a vida civil e política do ex-presidente Lula da Silva. Obteve sucesso em construir uma coalizão tácita incluindo os meios de comunicação, os partidos de oposição e carimbados personagens, prontos a aceitar e defender qualquer tipo de ilegalidade que procuradores e policiais federais cometessem tendo em vista o objetivo final de prender o ex-presidente da República e retirar Dilma Rousseff da presidência. A origem da ilegalidade encontra-se nas sucessivas declarações do candidato presidencial derrotado, senador Aécio Neves, rejeitando a legitimidade da vitória da presidente Dilma Rousseff, e liderando seu partido, o PSDB, em permanente sabotagem da governança do País. Notório corrupto conforme delações na Lava-Jato, todavia inexplicavelmente protegido pelas autoridades responsáveis, promoveu publicamente teses subversivas da ordem legal com declarações levianas e sem lastro probatório. A ele juntaram-se diversos segmentos oposicionistas, ultrapassando a linha da tolerância democrática e aderindo à caudal sabotadora, substituindo a linguagem parlamentar e civilizada por insultos e ofensas impeditivas de qualquer debate produtivo.

Gradativamente a Lava-Jato transformou-se em disfarçada usina de chantagem política, com poder de arbítrio suficiente para traduzir um telefonema ou memorando escrito entre políticos com coloquiais do tipo “então, não esquece aquele negócio” ou “ficamos combinados assim”, em explosivas evidências de que acordos de extrema indecênia haviam sido assim concluídos. Sem um segundo de cautela, toda a imprensa e os demais participantes da coalizão de justiceiros santificavam o abuso de autoridade, com pautas de jornalismo e análises ad hoc de inédita vulgaridade profissional. Sacando sobre os inegáveis resultados positivos que alcançara, a força-tarefa e seu corifeu construíram um roteiro de ações de claro cálculo político, com declarações, ora atrevidas, ora contrárias aos fatos, e já dispostos a truculências, sem temor de críticas públicas, silêncio obtido em parte pela cumplicidade da oposição tresloucada, em parte como resultado de chantagem subliminar e latente.

A malograda tentativa de prisão do ex-presidente Lula, em 4 de março, deu lugar a um interrogatório de fancaria no aeroporto de Congonhas, entre todos os lugares, em que as perguntas eram absolutamente não só banais, como já respondidas diversas vezes pelo interrogado, sobre pedalinhos, tríplex em nome da OAS, mas que os justiceiros dizem que é de Lula, orçamento do Instituto Lula, quando o relevante é a porcentagem dos tais recursos ilícitos dos doadores que foram destinados a outras instituições e pessoas. Se há um desvio de dez milhões de dólares e um milhão foram destinados a B, ele corresponde a dez por cento dos recursos ilícitos e o interesse primário devia consistir em verificar o destino dos 90% restantes. Se o milhão dado a B corresponde até a 100% de seu orçamento é fato subordinado ao destino dos demais 9 milhões. Pois a obsessão dos investigadores sequer menciona o problema. Ademais, o delegado inquisidor lançou em várias oportunidades uma casca de banana, com melíflua gentileza, lembrando a Lula que ele podia deixar de responder, se desejasse, pois não era obrigado. Ora, a  manchete única, no dia seguinte, seria: LULA EMUDECE PARA NÃO SE INCRIMINAR. Para isso serviria a farsa do interrogatório em um aeroporto.

O grampo da presidente da República Dilma Rousseff, sob a responsabilidade direta do juiz Sergio Moro, e sua divulgação preferencial pelo sistema Globo não permite outra interpretação: tentativa de interferência no processo político nacional, com incitação à convulsão social. Sua ação, associada à permanente propaganda do sistema Globo de rádio, televisão e internet, estimulando a desordem, inclusive através de análises e comentários imperitos sobre matéria jurídica de elevada gravidade, dogmaticamente interpretando notícias fragmentadas e, finalmente, mentindo reiteradamente, comprovam que o País ingressou na ilegalidade, que o juiz Sergio Moro, partidariamente contaminado, perdeu o senso da legalidade jurídica, e que o monopólio do sistema Globo de comunicação é incompatível com a ordem constitucional.

 

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5 comentários sobre “DA LAVA-JATO À ILEGALIDADE

  1. Boa tarde, me esforço para fazer pessoas do povo pensar sobre a realidade de nosso pais. Sendo eu, filho de ex preso politico, me preocupa o grau de alienação conseguido pelo PIG junto as pessoas mais simples. Ecoam e repercutem mecanicamente o que os JN lhes servem diariamente. Urge contrapor a desinformação, prenda-se todo gaiato comprovadamente gaiato, mas não quebrem empresas que dão guarida a milhões de trabalhadores, induzindo-os de que a rasão de sua miséria são os governos de viés socialista.

  2. Olá Wanderley não sei se já passou pela cabeça de alguém ou se foi discutido a possibilidade mas se for para agir, pois vejo muita gente falando nas redes sociais para pararem de assistir a Globo e dar audiência, mas isso é muito difícil e sinceramente não dá certo por muito tempo.

    Mas tem uma coisa que pode funcionar, isso se tiver como organizar do jeito certo.

    O que o ibope faz é medir a audiência dos programs e isso serve de parâmetro para cobrarem absurdos de empresas que querem colocar seu comercial em certos programas.

    A grande renda de emissoras de TV e rádio vem então da publicidade, é a propaganda que você vê entre os programas e até dentro dos programas e novelas.

    Pra se ter uma idéia aproximada, comerciais de 30 seg.:
    Jornal Nacional R$ 708.000,00
    novela das 9 R$ 715.000,00
    Fantástico R$ 550.000,00
    são preços que pode não estar atualizados mas são exemplos que achei online.

    E na verdade somos nós que pagamos isso porque as empresas só pagam para a globo se lucrarem, ou seja se nós comprarmos as marcas anunciadas. O que diz que vamos comprar para as empresas é a alta audiência além de certas pesquisas de mercado, mas se o povo se organizar e boicotar as marcas anunciantes da globo a audiência não quer dizer mais nada.

    A globo quer conclamar a força das massas não é? Então que tal a gente fazer ela sentir essa força de verdade!

    Vai precisa de uma meta que seja bem clara e justa do que querem da Globo (que ela pare de manipular a política, seja apartidária, entre outras coisas que ela claramente não é, o PHA já passou por aquele purgatório e deve ter melhor noção de qual meta exigir), sem meta vira um movimento sensacionalista sem base e sem razão (como a Globo faz com os protestos) não somos outra Globo, não somos PT, PMDB, nem PSDB, pois antes de tudo somos Brasileiros, por isso é um movimento que deve envolver o povo e não só um partido, ódio pela Globo não falta em muita gente (independente de partido), dá para transformar esse ódio inútil em reação produtiva, irá precisar de um site e até um fórum pra nos reunir e trocar dicas de marcas alternativas que não anunciam na Globo, e um listão por regiões de quais marcas anunciam na globo, e ser bem claro que não compramos marcas anunciadas na Globo, parando de anunciar lá voltamos a comprar.

    Não precisa ser um boicote apenas na Globo mas em todos os canais ou revistas que ajam de má fé.

    É um exemplo do que fez Martin Luther King, o poder é do povo, sempre!

    Segue a lista de preços da Globo
    http://www.quantocusta.net/wp-content/uploads/2016/01/valor-dos-comerciais-globo.jpg

    É interessante saber que uma palestra do Lula mal pagam 30 seg do Jornal Nacional mesmo com o dólar alto, e juntando mais uns 3 seg compra o sítio da Veja.

  3. Esqueçam essa histrória de “ordem institucional”. Acreditar nisso foi o erro que Lula, Dilma, o PT e seus aliados cometeram durante mais de dez anos. O Golpe consiste exatamente da demolição de qualquer ordem.

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