O DEFICIT DEMOCRÁTICO

Não pertence ao entendimento decantado a opinião de que o sistema político brasileiro faliu. Amplificadores de emoções, os sentidos registram automaticamente os estímulos do ambiente, incapazes, porém, de discriminar entre aparência e realidade. Be-a-bá filosófico que, nem por isso, deixa de ser frequentemente esquecido no dia a dia da urgência ou do interesse. Panelas e palavrões dificultam a apercepção de que há um ano a democracia brasileira vem sendo convocada diuturnamente a administrar conflitos de grande magnitude. Com andamento simultâneo de processos criminais de inédita envergadura, não sossegam os sentidos e as emoções da população, provocados por lances de cinema mudo envolvendo policiais federais – a ultrapassagem aérea dos portões da casa de um indiciado foi um deles – e quase sempre surpreendentes, mas autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Aos trancos e barrancos, o Legislativo legisla, ora agradando, ora dessagrando, ora se omitindo, ora se atrevendo onde não lhe compete, o Executivo não arranha sequer suavemente os limites legais de sua competência, e vai extraindo decisões relevantes para a administração pública. A última foi a que aprovou o orçamento para o ano vindouro incorporando receitas com origem em matéria a ser digerida pelo Legislativo.

As sessões de quarta e quinta desta semana de dezembro do Supremo Tribunal Federal ofereceram memorável exemplo de discernimento, erudição profissional e argúcia lógica de encantar a qualquer espectador de boa fé. Não é de hoje, aliás, que o STF presenteia o País com desempenhos irretocáveis, sempre que os ministros se mantêm nos autos. Não quero esparramar os elogios que faria sem timidez, mas solicito a atenção para o seguinte fato: quando se imaginou, na história do Brasil, que Legislativo e Judiciário entrariam em recesso por dois meses, estando em pauta um pedido de impedimento da Presidenta da República? Sem falar que nem mesmo simples delegacias de polícia entraram em prontidão?

A turma de sempre, com o oportunismo de sempre, volta ao ramerrão da falência do sistema político, à necessidade de substituição do sistema eleitoral e de dar fim a umas duas dezenas de legendas partidárias. Já se deram conta que entre os partidos envolvidos nos processos em andamento não se encontram membros dos pequenos partidos? Que estão em cena o PT, o PMDB, o PP e o PSDB?

A tensão dos sentidos e emoções não são indicadores de deficit das instituições políticas. Ao contrário, são sintomas de profunda vitalidade. Falta só um pouco mais de entendimento, isto é, de juízo.

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8 comentários sobre “O DEFICIT DEMOCRÁTICO

  1. Parabéns
    Finalmente li , neste texto, tudo o que penso e obviamente meu escapa por minha baixa erudição.
    Crise é paralisia, tudo o que não vemos, nem na política, nem na economia, muito menos no social.
    Obrigado.

  2. Elogios? O sr. está em posse de suas faculdades mentais? Vejamos.

    Venceu o voto de Barroso. Circula por aí, na internet, o momento em que o ministro omite certo trecho do regimento interno da Câmara dos Deputados que desmancharia sua tese no ar. A meu ver, pelo menos nos lugares civilizados, um juiz omitir trechos inconvenientes de uma norma não é fato para ser elogiado, mas para ser vituperado. Ocorrendo na corte suprema do país, é sinal para preocupar-se muitíssimo com o funcionamento da última das instituições que parecia estar de pé.

    Essas últimas sessões do STF acabaram com a credibilidade do tribunal e a vigarice do ministor Barroso é apenas a cereja do bolo. Nem preciso comentar os chiliques de Gilmar Mendes, a lamentável argumentação de Celso de Mello, e a distração de Carmem Lucia. Esta nem mesmo sabia o que estava fazendo lá.

    Mas quanto ao mérito: as comissões são eleitas por voto secreto. O voto aberto vale para deliberações. O sr. é cientista político e sabe o porquê. Sempre tem que ser assim? Não. Cabe à própria Casa Legislativa resolver. É seu espaço discricionário. O STF invalidar a eleição e mandar que se refaça do jeito como meia dúzia de iluminados crê correto é violação do princípio de separação dos poderes.

    Mas o mais absurdo — e aí sim me parece que o sr. está totalmente errado em elogiar o STF — é dizer que a resolução da Câmara de instaurar processo de impeachment pode ser derrubada no Senado. Ora bolas, qual o sentido então de a Câmara possuir tal prerrogativa? Desmonta-se todo o sistema de impeachment, no qual as duas casas agem conjuntamente.

    Elogiar o circo que se armou no STF, a decisão ad hoc ali gestada, é elogiar a decadência, o podre institucional.

  3. A BANCA E A VIDA
    “Penso que as instituições bancárias são mais
    perigosas para as nossas liberdades que
    exércitos inteiros prontos para o combate”
    Thomas Jefferson, 1802

    Você, caro leitor, sabe o que faziam em 23 de dezembro de 1913 os representantes das casas bancárias: Goldman Sachs, Lehman Brothers, Chase Manhattan, Kuhn & Loeb, de Nova Iorque, Lazard Frères, de Paris, Rothschild, de Paris e Londres, Warburg, de Amsterdam e Hamburgo e Israel Moses Seif, da Itália? Estabeleciam o denominado Sistema da Reserva Federal (FED), que controlaria o sistema monetário nos Estados Unidos da América (EUA), como naquelas proféticas palavras de um dos fundadores da Nação Norte Americana.
    Se formos mais atrás, na História, veremos que este Sistema é herdeiro de um outro poder, constituído em 1694 como uma entidade privada, o Banco da Inglaterra que receberia o monopólio da emissão de dinheiro da Ilha Britânica.
    Além de Jefferson (1801-1809), lutaram contra a privatização do controle monetário nos EUA os Presidentes: Andrew Jackson (1829-1837), Abraham Lincoln (1861-1865), James Garfield (1881) e John Kennedy (1961-1963) que, por estranha coincidência, três morreram assassinados e o primeiro sofreu um atentado. E ainda falam em teoria da conspiração!
    Nos dias de hoje, o Sistema Financeiro Internacional – que denominarei: a Banca – reúne pouco mais de 100 famílias e domina quase todos os países. Seu objetivo, como de tantos outros, desde o Império Persa, Romano ou Otomano, é exercer seu poder nas decisões econômicas, sociais, políticas e militares das nações.
    Para isso utiliza, entre outras armas, as emissões de moedas importantes para o mundo, como o dólar dos EUA (USD), e o controle de preços, por meio das Bolsas de Mercadoria e Futuro. Saberia, o amigo leitor, quais as cinco mais importantes do mundo que praticamente definem, politicamente, os preços de commodities e moedas? Da maior para menor temos: Eurex Deutschland, Chicago Mercantile Exchange, Chicago Board of Trade, NYSE Euronex (pan-atlântica) e o Mercado Mexicano de Derivados (MexDer). A nossa paulista BM&F não faz feio, mas seu volume é ínfimo diante destes megacentros de especulação.
    Ainda há quem diga que os preços são resultado dos custos dos fatores de produção e das demandas do mercado. Lamento.
    Vamos tratar de três recentes casos exemplares.
    O preço do petróleo foi uma forma da Banca pressionar os EUA e a Federação Russa para a nova crise que se avizinha. É tão incrível esta ação que, não fossem dados concretos, mereceriam dúvida razoável. Em 17 de dezembro de 2014, Vladimir Putin mostrou, num único lugar do Curdistão Iraquiano, 11.000 caminhões tanques transportando óleo contrabandeado. Estavam protegidos pela Agência Central de Inteligência (CIA), nos aspectos de inteligência e logística, e pelo Governo da Turquia, operações aéreas e terrestres. Mas este roubo de petróleo sírio, iraquiano e líbio não está sendo feito isoladamente. Tem a participação da Banca e do vasto esquema de tráfico de drogas, em boa parte proveniente do Afeganistão. Quer mais um exemplo? Em 27 de outubro de 2014, o príncipe saudita Abdel Mohen bin Walid bin Abdulaziz foi detido com quatro outros sauditas, com duas toneladas de metanfetaminas e muita cocaína, em seu jato particular, no aeroporto de Beirute. Este carregamento foi avaliado em 280 milhões de dólares. As relações da Banca com a lavagem de dinheiro é muito antiga, mas ganhou força, após a II Grande Guerra, no relacionamento de órgãos de inteligência e operações dos EUA com os agentes do tráfico para combater o comunismo, na Itália, em Marselha (Conexão França), no sudeste asiático e outros lugares. O jornalista italiano Roberto Saviano afirmou que “a City de Londres (é) um centro de lavagem de dinheiro criminoso, muito mais importante que as Ilhas Cayman”.
    Vejamos agora um caso brasileiro de corrupção impune. A Banca espera que os governos de países periféricos, como o nosso Brasil, transfiram para o sistema financeiro os ganhos de todas as demais atividades econômicas nacionais. Assim, um sistema que lava dinheiro das drogas, atua em áreas ilícitas por todo mundo, não teria qualquer pudor ou escrúpulo em retribuir a gentileza de taxas de juros verdadeiramente imorais. Vejamos apenas um ano – 1999. Neste ano a inflação, medida pelo IPCA, esteve em 8,94%. Mas os juros Selic, sob a gestão de Armínio Fraga, Pedro Malan e FHC ficou entre 18,87% a.a.(reunião de 06/10) e 44,95% a.a. (reunião de 04/03). Mesmo que atribuíssemos um ganho real que o amigo leitor possa obter em seu banco, digamos 8% a.a., o sobrepreço deste ano foi merecedor de um senhor presente. Concorda? E logo por quem é o profissional de esconder dinheiro!
    O mais recente, deste ano, vem da Argentina. A Presidente Cristina Kirchner travou uma batalha com um segmento da Banca, denominado Fundo Abutre. Tinha selado sua sorte. Certamente um mar de dinheiro foi colocado para eleição de seu opositor cujas primeiras medidas foram: demitir funcionários públicos, aumentar em 300% as contas de energia elétrica e, por seu Secretário das Finanças, Luis Caputo, para negociar (13/01) com Daniel Pollack, representante dos Fundos Abutres, o pagamento da dívida. Os argentinos devem saber que os Fundos Abutres compraram US$ 48,7 milhões em títulos e estão cobrando por eles US$ 1,5 bilhão. Haja estouro nas contas públicas, para mais cortes em direitos dos trabalhadores.
    O General Roberto Badillo Martinez, no excelente livro “Os responsáveis pelas crises financeiras contemporâneas e suas origens”, afirma que a Banca com suas instituições multilaterais (FMI, Banco Mundial, OMC) tem o objetivo de eliminar “o principal contraponto a essa dominação global”: o BRIC (governos do Brasil, Federação Russa, Índia e República Popular da China), aos quais eu acrescentaria o governos da Bolívia, do Equador, da Venezuela e da Argentina, estes dois últimos já em processo de transformação.
    O grande erro dos Governos Lula e Dilma foi não determinarem, em seus primeiros mandatos, a realização da auditoria da dívida, como fez o Equador. Poderiam ter contido a Banca ou feito companhia aos Presidentes dos EUA, que citei no início.
    Pedro Augusto Pinho, avô, aposentado

  4. PRECISA-SE UM LÍDER

    No modesto entender deste escriba, o Brasil precisa urgentemente de uma liderança capaz de enfrentar o capital financeiro internacional, a Banca, como o chamarei doravante.
    Não importa a esta altura buscar origens e culpas. Basta saber que a Banca atua com um propósito, que chamaremos Objetivo Permanente: o da apropriação dos ganhos de todos os demais segmentos econômicos, públicos ou privados e, internamente, reduzindo o número de parceiros (!), numa contínua concentração de renda. Há também outro objetivo, não conflitante com o Permanente: destruir toda política nacionalista, que a afaste da governança das nações.
    Como a Banca é formada de capitais de todas as origens: drogas, corrupção, caixa 2, suborno, tráfico de pessoas, cujo montante ela lava e coloca para render, não se lhe pode cobrar atitudes éticas. Veja, nesta última eleição na Argentina, o volume de dinheiro gasto para eleger Mauricio Macri, opositor daquela que enfrentou os Fundos Abutres. Não constituiu surpresa alguma que a primeira medida do novo presidente fosse deslocar seu ministro das finanças para “negociar” com estes fundos.
    O Brasil tem dimensões maiores em tudo que se escolha para comparar. Poucos países – os Estados Unidos da América (EUA), a Federação Russa, a República Popular da China e a Índia – tem dimensões, população e recursos naturais comparáveis. Também o Brasil se coloca como detentor de vários êxitos científicos e de tecnologias de ponta, como da exploração de petróleo, que faz da Petrobrás uma presa cobiçada.
    Mas tem uma elite, que governa o País desde as capitanias hereditárias, a qual cabe a irônica avaliação que o Presidente João Baptista Figueiredo aplicou aos criadores gaúchos: cafetão. No caso de todos nós, brasileiros, esta elite é a cafetina de nosso suor e de nossas riquezas naturais que entrega aos estrangeiros por variadas comissões e pela sua manutenção no Poder. A denominada grande imprensa é a caricatura desta realidade.
    Hoje parece ser travada uma luta, que envolve os mesmos interesses, com sutilíssimas variações, além da permanente sede de poder. Governo e oposição são unânimes na submissão à Banca. Vejamos o vocabulário usado e sua real significação.
    Fala-se em “ajuste fiscal”, “medidas duras ou impopulares, mas necessárias”, “confiança dos investidores”, “manter avaliação de grau investimento pelas agências de avaliação de risco (sic)” e muitas outras que o inteligente leitor logo associará. Todas só tem um único significado: tirar salário e rendas dos pobres e da classe média para manter sempre em elevado crescimento o lucro da Banca. Infelizmente a classe média custa muito a entender esta linguagem, mais do que os pobres, e ainda se alia aos interesses da elite como riqueza e poder passassem de um para outro por contágio viral.
    A mais recente prova desta igualdade de propósito, entre Governo e oposição, deu-se na aprovação pelo Senado da exclusão da Petrobrás de obrigatória participação na apropriação da maior riqueza descoberta neste País e no mundo, nos últimos 30 anos.
    Está vaga a liderança nacionalista. A um só tempo é curioso e triste verificar que os grandes avanços por um Brasil Soberano se deram em Governos Autoritários: Vargas e Militares, a partir de Costa e Silva.
    São daquelas épocas a legislação trabalhista, a Companhia Siderúrgica Nacional, a inclusão do trabalhador rural na Previdência Social, a Telebrás, a Embratel, a Cobra, a Nuclebrás e a própria Petrobrás, orgulho de qualquer Nação, criada por Vargas, Presidente eleito, às véspera de seu suicídio/assassinato, por coincidência (?) pela mesma força vitoriosa, agora, no Senado.
    Claro que não se deixa espaço vago no Poder. Já se candidatam a esta liderança o ex-Ministro e ex-Governador Ciro Gomes, no partido fundado por Leonel Brizola, muito conveniente, sem dúvida, e o Senador e ex-Governador Roberto Requião, que já teve uma experiência no Paraná, de enfrentamento do Judiciário, onde está enquistada boa parte da elite e dos interesses alienígenas. Não fosse assim, os processos de casos como Satiagraha, Banestado (também chamado LavaJato 1), Castelo de Areia, Lista de Furnas e tantos outros não teriam conhecido o arquivamento e as gavetas sonolentas.
    E as Forças Armadas? Enfraquecidas, desinformadas, acreditando que ainda vivemos num mundo bipolar de democratas e comunistas, teriam uma liderança para enfrentar a Banca?
    Esta é uma realidade que talvez chegue às primeiras eleições onde as pessoas jurídicas, pela primeira vez, não poderão oficialmente eleger seus representantes.
    Pedro Augusto Pinho, avô, aposentado

  5. A confiança nas instituições do país é, indiscutivelmente, alimentadora de um nível de segurança.
    Com o recente golpe para o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, desfez-se a pouca credibilidade nas instituições nacionais.
    O legislativo, como toda classe política, vem sendo seguidamente desmoralizado pela imprensa em geral. Mas o espetáculo, amplamente divulgado, do domingo, 17 de abril de 2016, no Congresso Nacional, emoldurou este fragilizado poder. Votos em defesa da tortura, parlamentar enrolado na bandeira nacional para entregar a riqueza brasileira do pré-sal a empresas estrangeiras, voto às esposas e filhos pelos que sabidamente vivem com relações moralmente reprováveis, apenas acentuaram a descrença.
    Como então esperar leis que, minimamente, protejam o direito à cidadania. Cabe uma breve conceituação do que entendo por cidadania e o faço adotando a ideia da “paridade da participação” da filósofa Nancy Fraser. Ela se firma em três condições:
    primeira a objetiva – aquela que assegura alguma garantia material, econômica, a toda população. A plataforma do Bolsa Família, o Programa de Renda Mínima são exemplos desta condição.
    segunda a intersubjetiva – voltada para o valor cultural, ou seja, o respeito à diversidade e desigualdade, a garantia da efetiva e idêntica oportunidade para todos terem “estima social”. O Ministério da Cultura, a Secretaria da Igualdade Racial, constituem garantidores desta condição.
    terceira a política – onde não será negada ou dificultada a voz das minorias ou seja excluir toda e qualquer forma de marginalização política. Uma Empresa Pública de Comunicação faz parte desta terceira condição.
    É evidente que deste legislativo, quer pela baixa capacidade crítica quer pelos “compromissos de campanha”, não se espera qualquer contribuição à cidadania ou à “paridade participativa” do povo brasileiro.
    Ao judiciário.
    Vale aqui a desconstrução do mito da meritocracia. Ressalvo entender que as duas únicas formas de acesso às funções públicas deveriam ser o voto popular ou o concurso público amplo e geral. As funções de confiança e as terceirizações seriam consideradas burlas inaceitáveis ao provimento e exercício de funções nos Poderes Públicos.
    Tomo o conceito de “ideologia do desempenho” do sociólogo alemão Reinhard Kreckel. Esta ideologia busca firmar e legitimar um processo de exclusão social pela qualificação pessoal. Para não transformar um artigo numa tese acadêmica, lembrarei apenas a questão do tempo.
    Um jovem da classe média terá uma disponibilidade de tempo muito maior para ler, iir ao cinema ou espetáculo cultural, enriquecer seu conhecimento do que um de família despossuída, obrigado desde a infância a vender seu tempo, sua força física, para garantir a sobrevivência.
    Forma-se no judiciário e em outras esferas do poder – ministério público, carreiras do executivo – uma casta mais disposta a manter seus privilégios do que corrigir as desigualdades. Esta característica é reforçada pelo “pertencimento”, dela se excluirão todos os que não tenham a “mesma origem” ou se insurjam ou não ajam como seus “pares”.
    Bastam os salários destas funções e seus ganhos indiretos para comprovação desta solidariedade. Claro está que, além das dificuldades colocadas na própria legislação, vide nosso legislativo, os procedimentos excludentes do sistema judicial e um julgamento partidarizado, não necessariamente político mas pela classe social, não serão garantidores da segurança institucional, a não ser por exceção.
    Surge a comunicação social para propugnar, defender e reforçar todo este contexto de insegurança.
    Usarei a palavra midia no sentido mais amplo, envolvendo toda sorte de comunicação social, inclusive a vinculada por canais virtuais.
    Alguns estudiosos da pedagogia afirmam que ao analfabetismo literário segue o televisivo e chega, hoje, ao virtual. Isto significa dizer que em nenhum ponto da formação do conhecimento há espaço para a crítica. Assim todo processo da comunicação social, com as mínimas exceções, só faz naturalizar todas as desigualdades. E a tal ponto que pessoas passam a aceitar como correto serem flageladas e estupradas física e psiquicamente.
    Os abundantes exemplos podem ser vistos nas midias e destaco as entrevistas ao vivo com transeuntes, colhidos ao acaso.
    Chegamos à absoluta insegurança que nos transmitem as instituições nacionais.
    O processo democrático só pode ser pela elaboração de um novo Estado por uma nova Constituição, esta o mais amplamente debatida por toda sociedade, formulada por todos os atores sociais para que a cidadania e a nacionalidade brasileiras sejam garantidas e protegidas.
    Não é possível, obviamente, sair do zero, mas é possível, e já ocorreu, afastar o poder econômico por limitações formais e adotar restrições à midia. Existem exemplos no exterior que como recomendava Ortega y Gasset devem ser buscados mas nunca transplantados.
    Pedro Augusto Pinho, avô, aposentado

  6. COLONIALISMO FINANCEIRO E GUERRA

    As pessoas informadas não têm dúvida que o sistema financeiro internacional, a banca, após o decisivo impulso dado por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, nos anos 1980, assumiu o controle colonial contemporâneo.

    Seria ingênuo pensar que estes governantes foram apenas iluminados pelo deus do ouro. Na verdade, deste a II Guerra Mundial, o capital financeiro iniciara campanha para, em primeiro lugar, destronar o colonialismo do capital industrial, depois dominar a economia, a política e todas as manifestações sociais e culturais, ao tempo que destruía o socialismo existente em diversos países. Não só o socialismo marxista mas qualquer sistema de poder político que, primordialmente, se dedicasse à solução das questões sociais, humanas.

    O recurso mais visível foi o das crises que tem início em 1967, com o embargo do petróleo, e se aprofunda com as crises financeiras decorrentes da ação unilateral dos Estados Unidos da América (EUA) de romper, 1971-1973, o Acordo de Bretton Woods. Para suporte e divulgação de seus objetivos, a banca contou com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o Banco Mundial (WB), e organizações mais ou menos abertas como a já existente (1947) Sociedade Mont Pèlerin, defensora do liberalismo econômico, e o Foro Econômico Mundial.

    A banca teve o apoio indireto dos movimentos ecológicos, com as críticas preservacionistas, como se vê ainda hoje no apoio que dá a políticos como Marina Silva, no Brasil. E, o que se tornou fundamental, soube absorver e implementar os recursos da informática melhor do que qualquer outro sistema.

    As pesquisas de sistemas e equipamentos para produção, armazenamento, processamento e transmissão da informação tiveram extraordinário avanço durante e após a II Guerra e aliadas à teoria de sistemas gerais, igualmente desenvolvida no pós guerra, formaram a base da mais notável transformação tecnológica e social dos últimos 50 anos. É suficiente observar os computadores dos anos 1960, que levaram o homem à Lua, e os tablets e smartphones de hoje.

    Como não é incomum na história, as mudanças institucionais vem a reboque das mudanças econômicas e tecnológicas. No caso do colonialismo financeiro nem mesmo esta mudança se fez necessária. Bastou se apossar da comunicação social e dar às instituições existentes, formadas nos colonialismos anteriores, o sentido político e econômico desejado pela banca.

    Vê-se, por exemplo, o golpe de estado que dispensa a agressividade de um golpe Pinochet para o modelo paraguaio, como se aplicou no Brasil neste ano. E, assim, instituições judiciárias pressionadas pela mídia e pelos amplos recursos da banca passam a dar sentenças esdrúxulas, contrárias às próprias leis em vigor, como a dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF- 4) em favor do juiz Moro.

    O colonialismo financeiro não se dirige apenas ao mundo subdesenvolvido, qualquer designação que se lhe faça. Ele invade antigas metrópoles coloniais que pagam o preço das condições de vida de seus habitantes, incompatível com seu desenvolvimento técnico e econômico.

    E, para que isso seja possível, surge a guerra do século XXI. São guerras regionais, com base em diferenças étnicas, religiosas e culturais. Quem não se lembra dos quadrinhos e filmes dos anos 1940/50 em que os “personagens do mal” tinham quase sempre rostos orientais. Hoje tem feições ou indumentárias árabes, os terroristas perigosos que estão destruindo a vida pacata e segura dos “ocidentais”.

    Esta nova guerra não é nem será global, pois a banca não é suicida. Colocará, região após região, o mundo em guerra. Assim, destruindo governos, culturas, inclusive religiosas e étnicas, a banca pretende também eliminar a pressão demográfica. Disto resulta as guerras terem início na Ásia – da Ásia Menor, da Península Arábica, do Nordeste da África até a Ásia Central e o Sudeste Asiático. Nesta populosa área da Terra também estão sendo testados métodos de guerra sem exposição direta e pessoal dos agressores. Mais uma vez a tecnologia da informação é apropriada pela banca.

    Na justificativa deste monstruoso objetivo contam com ideólogos sempre a disposição do poder, das comunicações de massa, que dominam amplamente, e usam as migrações, decorrentes das guerras provocadas, para insuflar ódio e medo em europeus, norteamericanos e, por incrível e paradoxal que pareça, até em sulamericanos.

    Não é por acaso que a instituição mais antiga do ocidente, a Igreja Católica, acumulando saberes e culturas por mais de dois milênios, elege seu representante uma pessoa com força espiritual e moral, competência política e atitude comportamental capaz de denunciar o financismo, a banca e a guerra que ela está provocando.

    A guerra hoje não é um clamor islâmico contra infiéis, não é um clamor racista contra negros norteamericanos, nem mesmo um clamor político das burguesias ignorantes e mesquinhas contra a mínima melhora de condições de vida dos miseráveis, a guerra é a arma da banca para concentração de renda e destruição de países, como a Rússia, que resistem suas investidas.

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