Entre borboletas e vermes

Na improvável hipótese de que a política permaneça em estado larvar até 2018, o que a oposição espera ganhar? Política larvar porque o envelope esconde a mutação contínua do conteúdo. Um belo dia sai de lá uma borboleta e o mundo fica mais bonito. Ou um verme, para desgosto de todos exceto da mamãe verme. Quando não se reconhece a larva, ignora-se a natureza do rebento, produzindo ansiedade nos interessados no parto. Caso da política larvar, em que cada dia se parece exatamente com o anterior, sem que a silenciosa bioquímica da gestação se faça conspícua. Com prazo de validade desconhecido, a gestação pode ser bem sucedida ou interrompida a qualquer momento até que, em 2018, a intervenção do voto ponha tudo à luz para susto de alguns e alvíssaras de outros tantos. Em qualquer caso, o bem nascido não há de se parecer com a pasmaceira atual. Nem a letargia do momento expressa parada cardíaca dos acontecimentos embrionários. Mas se nada de memorável acontecer, o que pensa a oposição oferecer em escambo por voto, em 2018?

Algemada à tese do impedimento presidencial, a oposição agarra-se à estratégia de, para início de conversa, impedir o governo de governar. Início e fim, pois a sucessão de fracassos administrativos do Executivo desagua no impedimento operacional da presidente Dilma Rousseff. Limitado à demanda por ato formal interrompendo o governo ou o manietando enquanto e não, o aceno tucano-partidário será nulo, em 2018, pois de um modo ou de outro o governo terá terminado. Em amargo sentido, a oposição terá falhado justamente com o desenlace que buscava: o fim do mandato presidencial. Não tendo mais nada a dizer, é duvidoso que da oposição surja uma borboleta capaz de encantar Vladimir Nabokov, conhecido borboletólogo, em português canhestro, o que deixa no ar inquietante interrogação: se os tucanos e seus acompanhantes não vão parir uma borboleta (o que seria estranhíssimo, convenhamos), o que nos reservam as dores abdominais de um governo acamado, se se prolongarem por três anos?

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