CRIMES QUE COMPENSAM

A sociedade brasileira pagará inflacionado preço político, econômico e jurídico pela obsessão da equipe da Lava Jato. Foi solta Nelma Kodama, criminosa, reincidente em atentados contra o patrimônio público e contra as finanças do Estado. Esperta, tanto quanto seu ex-marido, Alberto Youssef, só por conveniência os procuradores curitibanos afirmam que devolveu os valores ilicitamente depositados no exterior. O que a libertou não foi a devolução, mas a delação de quem já está na lista negra da Lava Jato. Na realidade, lista branca, pois brancos são Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Jorge Zelada, Nestor Cerveró, Renato Duque e outros do mesmo time. Alguns, libertados antes da talentosa Kodama, desfrutam a tranquilidade de sítios em regiões serranas; outros, de  tornozeleira e copo de uísque, curtem os crimes à beira de piscinas. Proibidos de se ausentarem dos sítios e das piscinas, que fantástica pena!

O tempo dirá se os condenados o foram, todos, por justa causa, mas não deveria haver contemplação com predadores. E, em parte, está havendo, via sub-reptícia sentença de meia inocência/meia culpa da real organização que deglutiu a Petrobrás. Enquanto os procuradores e a Polícia Federal desperdiçam dinheiro, tempo e mão de obra na desesperada busca de provas identificando Lula, Dilma e associados como cabeças e estado maior da corrupção, vão liberando para novas aventuras os titulares das falcatruas efetivamente apuradas e sentenciadas até agora. Está na página da Lava Jato: Alberto Youssef, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Renato Duque, com seus subordinados atravessadores, Baiano, Ceará e codinomes similares, foram os organizadores, operadores e beneficiários das tramoias. A esses se junta uma população variável de executivos das empreiteiras, ora da Odebrecht, ora da OAS, ora da Camargo Correia, e por aí vai, conforme o objeto da trapaça – sonda, navio, afretamento, etc. Os bandidos profissionais são constantes. Alberto Youssef, em particular, é um privilegiado larápio: roubara antes, foi preso, foi solto, favorecido por escaninhos da legislação brasileira, reinaugurou, com novos sócios e em escala espetacular, a empresa criminosa, preso outra vez, e outra vez a ponto de ser solto, mimo proporcionado pelo instituto da delação premiada.

Está concentrada em parlamentares do PMDB e em verdadeiro batalhão de próceres do PP, a ser enriquecida com as delações de Sergio Machado e Pedro Correa, a conexão política de Alberto Youssef e associados. Um ou outro do PTB, e a grande estrela petista, João Vaccari. Na sentença de Vaccari o juiz Sergio Moro elabora sua teoria gnoseológica do comprometimento de todos os membros do Partido dos Trabalhadores, por ação ou omissão: receptador e distribuidor das propinas, Vaccari teria garantido financiamento ao “projeto de poder” do PT, de que todos os petistas se aproveitaram, conscientemente. Só que, depois de dois anos de sucessivos anúncios de sólidos indícios da participação dos políticos petistas na rede corrupta, os valentes procuradores e policiais federais só encontraram figuras carimbadas: Youssef, Costa, Barusco, Duque, e o Andre Vargas que, em voo solo, extorquiu publicidade da Caixa Econômica para empresa familiar. Ah, sim, além dos milhões e milhões de dólares de Youssef e companhia, soltos, deram com um sítio em Atibaia, alegadamente de Lula, com benfeitorias providenciadas pela OAS.

Em meio às piruetas midiáticas para justificar futura prisão do ex-presidente, e desviada a atenção dos telespectadores para buscas hiperbólicas, logo esquecidas, a Lava Jato libertou a quadrilha comprovadamente responsável pelo assalto à Petrobrás. Todos com tornozeleiras, evidentemente. Tirante o incômodo no pé, o crime compensa.

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joiao
Enquanto o a Câmara dos Deputados aceitar conviver com Jair Bolsonaro, torturador por interposta pessoa, não deve ser considerada uma casa de respeito, mas bordel sem alvará para funcionamento. O que ela faz e aprova terá que ser desfeito e reprovado no futuro.

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SAÍDA OU BECO CONSTITUCIONAL?

À impossibilidade de Dilma Rousseff retomar relações com uma Câmara cuja demencial maioria só faltou chama-la de rameira, porque de ladra o foi, juntou-se o desastre de Michel Temer e seus larápios confederados, de Roraima ao Rio Grande Sul, sob a coordenação de um escroque do Rio de Janeiro. O precário ajuntamento de Michel Temer não obterá apoio ativo da sociedade, só repulsa; Dilma Rousseff, se reinstalada, sequer cumprimentará as 367 vossas excelências sem compostura da Câmara dos Deputados, que continuarão a sabotar seu governo. O nó produzido pela ambição e irresponsabilidade da coalizão do mal, PMDB&PSDB, não é solúvel nos artigos constitucionais vigentes. Salvo engano, a crise de usurpação só terá fim quando inventarem uma interpretação jeitosa que, embora nua, cubra a ilegalidade do acordo. Quem conseguirá e como o fará são interrogações que ultrapassam minha imaginação. Só estou seguro de que não há solução constitucionalmente imaculada para tamanho desarranjo político.

Desconheço a extensão da ferida aberta no envelope protetor de nossa democracia e da overdose de insegurança inoculada na população. Certo é que, contestando futura vitória eleitoral do mais humilde prefeito, há de surgir um Aécio qualquer reivindicando seu impedimento, com a cumplicidade de conivente maioria de vereadores, do judiciário local, e a colaboração do pasquim da cidade. O acerto de agora não apressará a cicatrização da ferida. Só a continuidade das eleições apagará a suspeita de que o compromisso democrático é um logro.

A ideia em circulação de que Dilma Rousseff convoque plebiscito tem endereço errado. Artigo 49 da Constituição: “é da competência exclusiva do Congresso Nacional, inciso XV: autorizar referendo e convocar plebiscito”. A esta altura, beira a ingenuidade imaginar esta Câmara e este Senado revogando o que aprovaram ontem.  Espreita as duas Casas a confirmação de que os legisladores não desmoralizaram a presidenta, mas o próprio mandato. E quanto tempo do governo reinstalado tomará o debate entre os a favor e os contra a convocação? Sim, embora pouco provável, não é impossível que movimentos de rua alterem a disposição do Congresso. Mas é ainda obscura a alternativa a ser proposta, além do rumor: convocar ou não nova eleição presidencial? Se milagrosamente vitoriosa a tese da convocação, o governo trabalharia pela tese de novas eleições, mas, não sendo ”já”, quando seriam? Não antes de 2017, certamente. Está aí o Tribunal Superior Eleitoral, presidido por Gilmar Mendes, para procrastinar a eleição, enquanto se esgoelam as campanhas de três candidaturas, no mínimo, além da de Mariana Silva. Sendo tolo o governo gastar capital na convocação de novas eleições para perdê-las, ninguém reclame quando administrar a coisa pública, que é bom, ficar para as horas vagas.

Estão abusando da disposição democrática da população. Longe de exercer advocacia do diabo, pergunto se realmente acreditam que este caminho domará a exasperação direitista, satisfará os inconformados e normalizará a rotina da administração pública. Tenho dúvidas.

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joiaoReforma política só não será engambelação quando, substituídos os candidatos a candidatos, os eleitores deixarem de votar como votam. Fora disso é conversa para boi dormir  e desperdício de uma dinheirama com o Tribunal Superior Eleitoral.

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DEPOIS DO VENDAVAL DA LAVA JATO, O DESCONHECIDO

Custou mas foi rompido o dique de proteção ao PSDB empilhado em Curitiba. Quanto mais cresce a papelada que nada revela sobre fenomenais transgressões de Lula e Dilma Rousseff, mais entulhadas ficavam as gavetas com as alusões a Aécio Neves e a Fernando Henrique Cardoso, escalando o pobre do falecido Sergio Guerra como único tucano meliante. Os procuradores não imaginam aonde o descontrole do processo os levará. Nem ninguém. Conversa fora discutir presidencialismo de coalizão, cláusula de barreira e outros penduricalhos. Criminalizadas as coalizões eleitorais desde a AP470, não há partido virgem da contabilidade de dupla entrada na OAS, Camargo Correia e coirmãs. Há um dinheiro amaldiçoado depositado em contas bancárias, circulando nos meios financeiros, envenenando o orçamento de empresas de publicidade, os lucros dos barões da imprensa, os bônus de redatores de jornais e de apresentadores de televisão. Enquanto o alienado presidente interino Michel Temer resolve pagar para ver, mantendo conhecidos mandriões nos ministérios, a bocarra da Lava Jato deglute o chão das instituições.

O sistema partidário está podre, não como inevitabilidade da democracia representativa, mas porque o somatório das degradações individuais ultrapassou de muito os dois terços exigidos para emendas constitucionais. Fizeram da Constituição um habeas corpus preventivo, contando com o silêncio constrangido de poucos. Todos os políticos sabem disso. E se não for amordaçada ou voluntariamente “estancar a sangria”, na feliz expressão do sorridente larápio Romero Jucá, a Lava Jato de um pulo irá da Câmara dos Deputados a seu braço de negócios jurídicos, o Tribunal de Contas da União, tudo com os intermediários, parentes, sócios e laranjas anotados. Daí, com baldeações, a investigação chega ao sistema produtivo estatal e, acorrentada a este, à população da FIESP e assemelhadas, algo tão inconcebível hoje como era o processo de impedimento de Dilma Rousseff quando Aécio Neves o solicitou, em meio à ressaca da derrota. Mas bastaria dar tempo ao tempo e não parasse a Lava  Jato. Vai parar, só que o tamanho do desastre nem por artes de quem vai estacionar não está escrito nas estrelas. Deixou de ser um jogo de cartas marcadas. Nem há um salve-se quem puder à disposição.

O grupo presidencial usurpador desconhece o potencial do turbilhão; ignora a própria ignorância. De esperteza extensa, mas visão curta, não lê direito história nem mesmo Maquiavel, que um áulico recitou em exercício de sabujice juvenil. Segundo ele, Maquiavel sugeriu ao Príncipe que fizesse todas as maldades de uma só vez, sendo parcimonioso na distribuição de benesses. O trombadinha estava certíssimo e o conselho encontra-se ao fim do capítulo VIII, que ele não leu. Eis o título do capítulo: “Sobre aqueles que conquistaram a posição de Príncipe por vilania”. Ou leu?

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joiaoSegundo Ludwig von Candongas, bem informado, o pilantra da Cultura midiática continua usando a blogosfera para desfilar narcisismo e soletrar asneiras. A última vem sob a forma de incompreensível estultícia. Para o pilantra, “o Brasil é uma Venezuela invertida”. Cáspite! Já a capitã do time Jogos Vorazes abocanhou a Associação dos Produtores Teatrais. É o progresso da ordem usurpadora do governo interino.

Enquanto o a Câmara dos Deputados aceitar conviver com Jair Bolsonaro, torturador por interposta pessoa, não deve ser considerada uma casa de respeito, mas bordel sem alvará para funcionamento. O que ela faz e aprova terá que ser desfeito e reprovado no futuro.

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A MENSAGEM POPULAR É CLARA: FORA COM OS USURPADORES!

O governo interino de Michel Temer age com a truculência de força de ocupação em território estrangeiro: desconsidera a história local, subverte os laços de solidariedade e cancela as políticas aprovadas coletivamente. Mesmo um governo de oposição eleito segundo as regras do jogo evita bagunçar a vida da comunidade, e não só porque os padrões de relacionamento entre o poder público e os grupos da sociedade estão incorporados ao cálculo de futuro das pessoas. A prudência recomenda reconhecer que são vocacionadas para o fracasso as tentativas de apagar completamente os vestígios dos antecessores. O custo seria elevadíssimo, a fraude descomunal e o desmascaramento certo. Explicam-se, portanto, as idas e vindas das autoridades interinas, a atabalhoada adoção de políticas antes anunciadas pelo governo destituído e a pirraça de renomear o que já existe. Baratas tontas enfurecidas e míopes. Acresce o comprovado envolvimento em traficâncias da maioria dos mandachuvas interinos, com previsão de que não causará surpresa se o próprio presidente precário vier a ser exposto como estrela da turma. Tudo depende da capacidade dos líderes da Lava-Jato e outros figurões de continuar filtrando o resultado de delações, batidas espetaculares e conduções coercitivas. Até agora os golpistas têm conseguido levar a vida na flauta, sorridentes, deputados, senadores e ministros, embora o júbilo proporcionado pelo sucesso do assalto esteja sendo substituído, em todos, por caras de paisagem.

O impacto farsesco contamina o Supremo Tribunal Federal, obrigado a empenhar monumental esforço para emprestar ração modestíssima de autenticidade a deliberações de teor antecipado em editoriais intimidantes. Não há como disfarçar a repetida coincidência entre o desempenho do judiciário e o interesse de apressados golpistas. Nem escapa ao conhecimento da opinião pública a voracidade rentista da corporação, embaralhando tratativas constitucionais com irrefreável apetite salarial e por benesses colaterais. Destituído de solenidade crível, a teatralidade das sessões e a linguagem pedantemente rococó, quando não francamente charlatanesca (em despacho, o juiz Sergio Moro registra sua “cognição sumária”, pois aos iniciados não sucedem pedestres “primeiras impressões”), são como cartas de amor, embaraçosamente ridículas. Sem a inocência do lirismo de Fernando Pessoa, contudo.

Nada se sustenta. Podem os interinos tentar seduzir a audiência com promessas de executar um salto mortal triplo, sem rede, mastigar sem hesitação lápides fúnebres e beber seis taças de mercúrio cromo. Tirante a irrelevância das fanfarronadas, nem essas são honradas por usurpadores. Cabe aos eleitores afanados de seus direitos recusar-lhes obediência, interpelar a infalibilidade do Supremo Tribunal Federal por infidelidade constitucional e manter o democrático escracho, forma de coação moral dentro da legalidade, até que os usurpadores renunciem ou saiam eleitoralmente derrotados em 2016 e 2018. Pactos laterais constituiriam assassinato pelas costas ao enorme contingente de brasileiros que, desde logo, sublevou-se contra o golpe parlamentar.

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joiao
Segundo o Estadão de 30/05, o patrimônio declarado do cidadão Michel Temer foi multiplicado por 3, entre 2006 e 2014 (8 anos), passando de 2 milhões e pouco para 7 milhões e meio. Depois, suspeito é o Lula por alegada posse de sítio na paradisíaca e exclusiva região de Atibaia e por não ter comprado (!!!) um apartamento em Guarujá, concorrente paulista do Jardim Pernambuco na praia carioca do Leblon.

Enquanto o a Câmara dos Deputados aceitar conviver com Jair Bolsonaro, torturador por interposta pessoa, não deve ser considerada uma casa de respeito, mas bordel sem alvará para funcionamento. O que ela faz e aprova terá que ser desfeito e reprovado no futuro.

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OS SALVADORES DA CULTURA NACIONAL

O cretino episódio de fechamento e reabertura do Ministério da Cultura obriga a essencial distinção entre oposição a um governo usurpador e repúdio a solidariedades extorquidas por contrabandistas políticos. Durante anos os democratas foram manietados e amordaçados pelos que defendiam a estratégia oportunista de combater a ditadura por dentro. Sempre que há um deslize autoritário surge o infalível aproveitador do momento, embuçado em bandeiras de irrepreensível decência. Agora não está sendo diferente, e a indignação seletiva dos democratas de boa fé construiu admirável palanque para a publicidade de algumas dessas espécies de roedores. Não há porque se intimidar com a usual ameaça de difamação, sim porque também existe um estilo Eduardo Cunha à esquerda. Hora de partir os fritos, como se diz no Nordeste.

Foi de vento na popa a disputa pela liderança do movimento de resistência democrática. Unidas em frente única na redução do foco às manifestações contra o estúpido fechamento do Ministério da Cultura, com referências simbólicas às políticas sociais sem mídia, as conhecidas organizações centralizadoras e as empresárias de negócios culturais (“autorizar biografias só mediante acordo sobre quanto vão pagar!”) reivindicam o generoso saldo de uma vitória benvinda, mas periférica no combate ao reacionarismo em expansão. Administradoras de negócios orientaram celebridades de suas carteiras de clientes para difundir a patranha de que o ápice da luta contra o golpe não é a denúncia da truculenta mutilação dos múltiplos programas de atendimento aos desvalidos de renda, educação, saúde, moradia e defesa jurídica, mas o resgate de uma burocracia medíocre diante da heterogeneidade e instabilidade dramáticas da cultura brasileira. Estão saindo no lucro, com a perspectiva de novos adeptos, em um caso, e, no outro caso, dobrando ou triplicando o cachê de seus contratados para turnês internacionais com audiências bem pagantes, e ainda aplaudidos como heróis da resistência. Empresárias vorazes na exploração cultural, e até temidas pela concorrência, se apresentam de cara limpa como porta-vozes da democracia, a falar sobre valores quando os únicos que lhes importam são os denominados em reais, dólares, ou, ainda, em euros. Ingênuos os que de boa fé emprestaram sua força de trabalho, solidariedade e manifestação artística a um movimento já embolsado pelas empreiteiras dos negócios culturais. Mas este não é o único contrabando.

Pilantras exploradores de criações culturais do povo, burocratas daquela esquerda mafiosa, discriminadora, e sem currículo em qualquer manifestação de cultura, embora agasalhados por colunas e noticiários de jornalistas sem opção de emprego, surfam na espuma produzida pelas empresárias de negócios culturais, faturando com a violência da espoliação de quem efetivamente vive da criação cultural. Acumulam créditos sem lastro de obra pessoal, à espera de resgate sob a forma de bem remunerada hospedagem em governo estadual ou municipal amigo. Lombrigas desde sempre, alimentadas pela saúde produtiva de efetivos criadores de bens e valores culturais, já anunciam que o governo usurpado se legitimou pela recriação do MinC. Não demora e descolarão uma sinecura que não dê na vista.

Estive em outra palestra e debate, desta vez no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, dia 19 de maio, com cerca de 200 professores e estudantes de mestrado na complexa área de Saúde Mental. Buscavam entender o inesperado fenômeno da formação de tamanha maioria parlamentar, com substancial apoio na classe média, para destituir uma presidente legitimamente eleita e sem comprometimento comprovado com qualquer crime constitucional. Investigavam formas de contribuir para a denúncia da usurpação e, também, de defesa das vulneráveis políticas da área, como vulnerável é, por exemplo, a política de direitos humanos ou a do cálculo do salário mínimo. Que fazer? Os meninos e meninas da UBES, perseguidos e espancados pela polícia, sem desistir, foram citados na conversa. Lembrei-me do Diretório Acadêmico da gloriosa Faculdade Nacional de Filosofia e imaginei que, certamente, convocaria os universitários de direito e medicina para que formassem grupos de assistência jurídica e de atendimento médico a essa garotada e a todos os feridos pela repressão, que tende a aumentar. É um passo. Outros profissionais e cidadãos inventarão formas de resistir ativamente à truculência que atinge, antes de qualquer profissão, artística ou não, ao público da bolsa-família, aos desabrigados do minha casa-minha vida, aos clientes das farmácias populares, aos atendidos pelo SUS, às mulheres violentadas, aos negros e às negras, que ascendiam com dificuldade na escala da estima social. Há muito a fazer e muito haverá, sobretudo quando cessar a derrama do potencial faturamento monetário, gerado pela mobilização das pessoas de boa fé, artistas, funcionários e estudantes, capturados pelo demanda simpática, mas monocórdia e de contrabandeado interesse, da alegada salvação da cultura.

Dicionário:

Produtor cultural não é um autor de teatro, de telenovela, ou cantor, músico, criador de bens culturais, mas empresário, produtor de lucro, que faz negócios com a cultura produzida por outros. Exemplos: Paula Lavigne, agenciadora de vários produtores de cultura do Procure Saber, como Caetano Veloso e Erasmo Carlos, produtora do filme sendo rodado por Cacá Diegues, para quem o governo não é ilegítimo. Paula Lavigne já se reuniu com o interventor no recriado Ministério da Cultura.

Burocratas que se apropriam das importantes posições de gestores de cultura, instalam grupelhos e submetem os efetivos produtores a regulamentos de chantagem, adesões a patotas e sujeição a lealdades, mediante uso da blogoesfera mafiosa e de jornalistas sem opção de emprego fora do sistema Globo. Exemplo: Juca Ferreira, fraude intelectual e operacional, como denunciado pelos órgãos de controle do governo e explicitado por Marta Suplicy, crítico duas caras de Dilma Rousseff, mordomo do ex-presidente Lula.

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OS BONS DE MÍDIA

Não posso deixar de perguntar: cadê o Caetano Veloso que escreveria contra a fusão dos ministérios das mulheres, da igualdade social, da juventude e dos direitos humanos, absorvidos pelo ministério da Justiça?! Medida claramente policialesca, mas os atingidos não contam com celebridades cinematográficas, telenovelescas, teatrais, musicais, tudo pessoal da chamada “cultura”, os únicos com divulgadas ocupações, concertos, discursos inflamados, autocongratulações e demandas, sem a mínima referência à presidenta expropriada, aos negros, mulheres, vulneráveis e indefesos, entregues ao escárnio da televisão e jornais. Corporação da pesada, essa, monopolizadora da “cultura” em holofote, que inclui desde produtores brilhantes a medíocres burocratas aparelhadores. Sejam solidários a todos os expropriados! Tenham vergonha!

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