O DRAMA CONSERVADOR (E PROGRESSISTA) DE SÃO PAULO

O provável desastre eleitoral de Geraldo Alkmin e Marina Silva surpreendeu os conservadores com incômoda opção: descarregar os votos em Ciro Gomes ou em Fernando Haddad. Se a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno se confirmar, nem mesmo os cálculos de marqueteiros (de centro e de esquerda), especulando com a absorção dos votos de Álvaro Dias, João Amoedo, um naco de Marina Silva e, Deus seja louvado, peregrinos bolsonarianos desiludidos, prometem a presença de Geraldo Alkmin no segundo turno.

Impossível não é, bem como a conquista por Haddad do segundo lugar, embora chegando com atraso às fulminantes previsões dos clínicos em opinião pública. Mas, e se nem Jair Bolsonaro, cujas razões de êxito não são esclarecidas pelos xingamentos recebidos em abundância, e nem Fernando Haddad confirmarem as precipitadas loas à genialidade de Lula, como se comportarão os conservadores paulistas? Restrinjo-me aos paulistas porque nunca viveram, senão em 2014, eleição maldita para todos eles, a tensão de optar por um estrangeiro. Contudo, não obstante os fogos de artifício de todos os analistas de esquerda, a possibilidade de decisão no primeiro turno entre Haddad ou Ciro, contra Jair, não é assunto superado, como tenho lido em petistas e tucanos desesperados, para os quais Haddad aparentemente já realizou a mágica, arrebatando o Nordeste, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, por suposto, além do Acre, Rondônia e Amapá, redutos históricos do PSDB. Pode ser que ocorra, mas não ocorreu, e pode não ocorrer.

A página Poder360 trás resultados de pesquisa com três mil entrevistas em São Paulo e Minas Gerais, no período 9-11 de setembro, dia em que Fernando Haddad foi oficialmente anunciado candidato pelo PT à presidência da República. No Sudeste o anúncio não surpreendeu e a transfusão de votos de Lula a Haddad já começara com sua indicação a vice. De agosto a 10 de setembro, véspera da indicação, Haddad crescera de 4% a 9% das intenções de voto, segundo o Datafolha, pulo de cinco pontos percentuais. Entre 10 e 14 de setembro, já oficializado, o candidato do PT passou de 9 a 13% das intenções, salto de mais quatro pontos percentuais, ainda segundo o Datafolha. Depois de várias semanas sem ultrapassar 2% das intenções de voto, o enorme avanço de nove pontos percentuais entre agosto e setembro identifica o processo em curso de transfusão de votos de Lula para Haddad.

Foi no contexto da transfusão já em curso, e em estados nos quais o desconhecimento sobre Fernando Haddad é mínimo, que a pesquisa do Poder360 informa que, em São Paulo, Haddad aparecia com 10% de intenções contra 9% de Ciro, enquanto em Minas Gerais Ciro alcançava 14% das declarações de intenção contra 10% em Haddad. Na pesquisa Datafolha, era Ciro que aparecia com cerca de quatro pontos percentuais acima de Haddad, no Sudeste, No que estão chamando a batalha do Nordeste, região topográfica que, para a crônica paulista, inclui o Norte e o Centro-Oeste, onde o desconhecimento de Haddad pode ser maior, as próximas pesquisas contribuirão para a angústia dos tucanos. À medida que cresce a rejeição à Haddad simultaneamente à difusão de seu nome, a disputa com Ciro, na região, poderá depender do saldo simpatia versus repulsa, aspecto provavelmente de pouca relevância nas votações presidenciais anteriores do PT. Mas agora não se trata de Lula contra Serra ou Alkmin, nem está aferida a consequência eleitoral de Fernando Haddad se apresentar por aí afora como Lula.

Aí é que os conservadores, sobretudo paulistas, pisarão em ovos: Ciro, estrangeiro, ou Haddad, petista, mas, apesar de tudo, nativo. Os cenários elaborados pelos clínicos da opinião pública, traduzindo resultados da pesquisa Datafolha (14/9), me parecem afobados. Ali, o que surge como certa, hoje, é a queda de Marina Silva, mais nada, nem mesmo a consagração antecipada de Jair Bolsonaro.

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FACE A FACE COM O ELEITOR

O golpe de 2016 impediu Dilma Rousseff e expulsou as forças populares do circuito do poder. Fiz esse diagnóstico em Democracia Impedida, publicado em 2017. Desde então o tabuleiro foi sacudido e nenhuma das pedras conquistou posição invulnerável.

A fórmula conservadora sustenta que é preciso mudar alguma coisa para que tudo permaneça como está. Minha fórmula para identificar os progressistas liberais é a de que, para eles, “tudo precisa continuar como está para algo mudar”. Parece a mesma, mas na fórmula dos conservadores são eles que dizem o quê e como mudar; na dos liberais progressistas, são estes que decidem o que continuará como está. Raramente uma peça coadjuvante interfere no conchavo entre conservadores e liberais progressistas. Quando surge, é ela a peça de efetiva oposição às regras estruturais, mais do que à simples competição na margem.

Os conservadores contam com três participantes no jogo: Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alkmin. O destemperado Bolsonaro foi contido pela didática de Paulo Guedes e só os rudes acreditam que vá distribuir armamentos ou castrar homossexuais. O conservadorismo de Guedes é extremista de outro modo: propõe substituir o que está aí em sentido ainda mais devastador para a economia e soberania populares, mantendo a essência imutável.

Marina Silva dispõe-se a defender o status quo promovendo reformas selecionadas, desde que a preservação e as reformas incluam o critério da sustentabilidade. A arbitrariedade do critério só é inferior à da graça da intimidade com a vontade divina, monopólio dos pós-graduandos em teologia. À parte a indignação contra escandalosas iniquidades da ordem, Marina investe na permanência dela.

Geraldo Alkmin é o conservador clássico. Polido com os grupos de interesse, não hesita em tornar-se bolsonariano se a exacerbação das demandas populares lhe parecerem ameaçadoras. Basta lembrar o início do vandalismo policial em junho de 2013. Talvez seja desafiado por um Collor retardatário, João Amoedo, do Partido Novo.

O liberalismo progressista – deixar tudo como está e alterar o possível – resultou da metamorfose do Partido dos Trabalhadores ao chegar ao poder e topar com a dura oposição dos conservadores. Os defensores da ordem não seguem regras contratuais, como ocorre nos acordos coletivos de trabalho e acertos de convivência são inevitáveis. Acertos cujos termos dependem mais da força social do que dos números eleitorais.

Lula obteve mudanças nas margens do sistema, embora vitais para os beneficiados, mantendo intacta a estrutura de extração de mais valor nas indústrias e nas transações bancárias. Foi o melhor acordo fechado, suficiente para transformá-lo no mais amado governante brasileiro. Ainda assim, escapou por pouco de um golpe em 2005.

Dilma não escapou. Depois da crise internacional de 2008, e apesar de drástica redução de recursos, Dilma expandiu os programas sociais. O lance foi inaceitável pelo conservadorismo, temeroso de uma efetiva redistribuição de renda. Caiu e cairia, mesmo se mais competente na administração da crise, ao contrário das fantasias dos críticos de massa falida. Dilma caiu por romper o pacto firmado pelo hábil metalúrgico. Haddad é tentativa de reingresso na ordem, solidário à estrutura vigente, mas aliviando as populações marginais da ordem.

Onde se encontram as propostas de mudanças estruturais afetando as posições dos predadores da economia e da soberania nacionais? – Assistam aos debates.

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OS DESCAMINHOS DE UM CANDIDATO

Acabei de assistir 42 minutos de entrevista de Ciro Gomes a Glenn Grenwald em vídeo da Intercept. Assertivo nas opiniões como dever ser e polido como de costume, também como de hábito mostrou ser o único candidato de real oposição as bases estruturais da democracia capitalista brasileira. Sem limitar-se às fáceis indignações contra a miséria, a ridícula renda per capita, a situação no campo e nas periferias das cidades, clichês de todos os postulantes, referiu-se sempre que possível ao que considera a fonte principal de que as mazelas mencionadas são consequências diretas ou indiretas: a forma selvagem como o capital se apropria de mais valor nas indústrias e no cartel do sistema bancário.

Referiu-se duas vezes ao Rio Janeiro: na primeira disse que o Rio de Janeiro era o epicentro da corrupção no Brasil, tendo como evidência os ladrões, presos, Eduardo Cunha e Sergio Cabral. Ora, esses são ladrões pés de chinelo, não obstante o absurdo do que roubaram pessoalmente. O epicentro da corrupção está nas relações de longa data entre os grandes conglomerados privados e autoridades públicas em sistemática extorsão de benefícios contra os interesses da economia e até da soberania nacional. Documentadas pelas rocambolescas investigações da Lava Jato, a quase totalidade desses conglomerados estão operacionalmente sediados em São Paulo e é deles que têm saído os grandes criminosos. Políticos paulistas não estão na cadeia pela miopia da Lava Jato, como é publico e notório. Ciro Gomes errou seriamente na localização do epicentro da corrupção no Brasil.

Na segunda referência denunciou que os eleitores do Rio de Janeiro só estão interessados na descriminalização do uso das drogas. Talvez por isso sua campanha esteja negligenciando o terceiro colégio eleitoral do País. O candidato tem todo o direito de desprezar o voto fluminense. Mas me permito indagar: na companhia de quem anda Ciro Gomes quando vem ao Rio de Janeiro? E posso assegurar que ele não sabe, não é com quem, mas de quem está falando.

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NÚMEROS NÃO MENTEM

Os eleitores em busca de informações alternativas à imprensa tradicional terminam contaminados pela algazarra de blogues mistificadores. Nascidos para corrigir desvios profissionais dos jornalões, os blogueiros partidários copiam todos, aprendidos em seus tempos de William Bonner: omitem dados, deturpam acontecimentos, divulgam falsidades e, sobretudo, não deixam ninguém contrariá-los. Até os debates são forjados: a própria turma e convidados bem escolhidos promovem a farsa de estarem todos de acordo.

A corrida eleitoral é a pauta para difusão de patranhas. Os números servidos aos leitores, resultado de cálculos aberrantes sobre dados torturados, falsificam o andamento real da competição. Embora sujeita a mudanças, é possível demonstrar que a atual intenção do eleitorado difere largamente do que jornalistas profissionalmente engajados transmitem a crédulos leitores.

É quase certo que Lula não será candidato. De acordo com declarada estratégia do PT, a manutenção de seu nome tem por objetivo a transferência de seus eleitores para o sucessor, Fernando Haddad. Para tanto, o ânimo petista é ativado por números de Lula, soma de sua votação histórica e acréscimos compensando as injustiças sofridas. Mas quando se limitam àqueles que serão candidatos, os números da última pesquisa do IBOPE, em meados de agosto, revelam um quadro não tão claramente favorável a tais ambições.

As intenções de voto, computadas por estado, indicam que os três primeiros lugares são ocupados, na ordem, por Bolsonaro, Marina e Ciro. Exceções ocorrem na Bahia, Maranhão, Pernambuco, Pará, Sergipe, Amapá e Alagoas, nos quais Marina aparece à frente dos outros dois; nos estados do Ceará e Piauí, em que Ciro assume a dianteira, e no solitário Paraná, com Álvaro Dias à frente dos outros três.

O segundo grupo pertence a Geraldo Alckmin, ou vice-versa, virgem sequer de um único primeiro lugar. Pouco provável que continue assim, mas o tempo encurta, acacianamente, a cada dia, e sua plataforma de lançamento só contabiliza um segundo lugar em São Paulo e Mato Grosso, além de um empate em quarto lugar com Ciro, no Paraná. Em todas as demais unidades da federação ele monopoliza o quarto lugar.

Haddad, estrela da vez, obtém no Piauí sua melhor marca: 6% das intenções de voto. Conquista 5% na Bahia e em São Paulo, e 4% em cinco estados: Rio de Janeiro, Paraíba, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Sul. No Distrito Federal e nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Sergipe e Santa Catarina, Haddad não ultrapassa 3% das intenções de voto, enquanto em outros nove estados recebe não mais do que 2%: Paraná, Acre, Espírito Santo, Tocantins, Goiás, Rio Grande do Norte, Amapá, Ceará e Alagoas. Roraima e Amazonas lhe concederam 1% das preferências de voto.

Nesta pesquisa o IBOPE não forneceu os resultados de Minas Gerais, mas julgo válido concluir que Geraldo Alckmin necessita de um sobre esforço para alcançar um dos dois primeiros lugares. A distância que o separa do terceiro lugar de Ciro Gomes não é excessiva em alguns estados. Ocorre não haver o que impeça Ciro Gomes alcançar o segundo lugar, hoje com Marina, pois as distâncias entre os dois também não são insuperáveis.

O desafio que defina, talvez, a Presidência, consiste em descobrir a quem pertencem, de fato, os votos prometidos a Jair Bolsonaro. E se, contra toda lógica elementar, sejam mesmo dele esses votos encapuzados, azedos, noturnos?

Por fim, fica mapeado o tamanho da transferência das intenções de votos em Lula para efetiva votação em Haddad. Se o comando petista dispõe de informações estimulando o otimismo agressivo de seus militantes, essas não aparecem nos blogues, ocupados com fantasias embriagantes.

Para mim, esses números ainda não fazem sentido e muita água está por correr. Mas não pelos canais da internet.

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CARTAS NA MESA

A euforia petista facilita demarcar divergências em relação a outras vertentes progressistas. Não é em momento de depressão ou de reduzido prestígio social do PT, mas quando dirigentes e militantes antecipam possível vitória no primeiro turno de Lula/Haddad, que faço um descarrego pessoal.

O vício de origem do processo que encarcerou o candidato Lula/Haddad não basta para cobranças de adesão a qualquer decisão emanada da direção do PT ou do próprio Lula. Esse é um preço similar às imposições de monopólio natural, supostamente implícito na condição do vitimado. Mas a injustiça não garante soberania indisputada a injustiçados. A coação é um preço aberrante, tratando-se, na verdade, de um assalto de Lula e apóstolos contra os insubmissos à jurisdição monárquica de algum predestinado. Seria a contrapartida civil dos gênios iluminados do Supremo Tribunal Federal. Rejeito a ambos.

O político Lula, vítima da notória e tácita conspirata do Judiciário, é o mesmo Lula que persegue de maneira implacável como um mouro, togado honoris causa, disposto a cobrir elevadas apostas, sacrificando quadros de seu partido, promovendo acordos clandestinos com PP e PR  para destruir oportunidades ao surgimento de outras lideranças populares.

Lula, pessoalmente, foi tenaz na urdidura do isolamento de Ciro Gomes, e mostrou-se hospitaleiro um tanto inescrupuloso a figuras e partidos que depuseram Dilma Rousseff. A versão dos fanáticos é a de que os ladrões e golpistas se arrependeram e Lula os perdoou. Mas não por generosidade dos novos centuriões. A prioridade de Lula e do PT nacional, que é o apelido do PT paulista, era e é a destruição da candidatura Ciro Gomes (ora, um cearense!). Para haver novo candidato paulista era indispensável que só houvesse rebotalho fora do PT paulista. Não é, obviamente, o caso de Ciro Gomes.

Eleitores de boa fé acreditaram que a exigência da cabeça de chapa era anseio partidário, sem qualquer explicação para a sacralidade de tal mandamento. Durante toda a embromação para a escolha do candidato “Lula”, da qual um esperto baiano ficou longe, a questão real sempre foi limitar a escolha da embuçada de Lula aos quadros do PT paulista. Fernando Haddad, claro. Lula é nordestino de nascimento e político paulista por conversão, inseminado pelo preconceito contra Getúlio Vargas, do qual nunca se desfez, e orgulhoso da predominância da indústria e dos bancos paulistas, com os quais se senta e se sente à vontade para negociar.

Há um aspecto inédito do fenômeno Lula: a capacidade de transformar homens e mulheres de reputação e história em meninos e meninas de recados, transformação aceita como promoção a estafeta: “o Lula mandou dizer…”. Aos sólidos opositores ao golpe, que não trocam a dignidade pelo poder, enrubesce testemunhar a subserviência e abdicação da autonomia de profissionais competentes, antes empenhados em formulações originais sobre o País. Pior: compactuam conscientemente com a mais intolerante máquina de intimidação e de difamação dos que se recusam ao beija-mão de chalaças; propõem e promovem censura nos blogues, outrora democráticos, e em todos os meios de comunicação, ocasionalmente infiltrados. São meganhas mentirosos, como os da ditadura militar, omitindo, desmoralizando, coagindo e, sem o saber, morrendo com Lula. Nunca mais terão direito a opinião pessoal.

Lula sabe que agoniza politicamente, aconteça tudo ou aconteça nada em outubro de 2018. E independe do Judiciário. Lula agoniza porque todos os grandes líderes terminam superados pela irreversível passagem do tempo. Talvez a revolta contra o fim inevitável se encontre na origem da obsessão instalada em sua nova concepção de mundo, expressa em obsoleto programa de governo. Lula não está à altura de Lula.

 O programa do PT é caduco e, em certos aspectos, tão reacionário quanto o do PSDB, na lengalenga de quem vai pagar mais imposto, mantido o equilíbrio fiscal, por suposto, na repetição de programas sociais altamente louváveis, mas indefesos, como se viu, sem reflexo institucional protetor. Acabar com a miséria exige bem mais do que aumentar conjunturalmente a renda dos pobres.  Os intelectuais que o acompanham, sobretudo os subservientes do jornalismo alternativo, ignoram a formidável extensão do drama do Brasil, que ingressa no circuito do ocaso da democracia representativa sem tê-la instituído integralmente, e exposto aos estertores da revolução industrial, que não completou. Profundamente desamparado diante da perspectiva de se perpetuar como copeiro das nações produtoras de tecnologia pós- revolução digital, o Brasil é um ente coagido por negociatas, ameaças, ações e omissões predatórias, a espremer-se entre um caudilho que mudou de lado e espumantes nulidades em rede.

As cartas, porém, não foram todas jogadas.

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BALANCETE

Em matéria de estratégia, a do PCdoB foi a de maior êxito. Ameaçado pela nova legislação de perder privilégios parlamentares, sem assento em comissões, mesas diretoras, fundo partidário e tempo de televisão, as eleições proporcionais são o objetivo primordial do partido. Associando-se a chapas fortes, contará com votos dos partidos das coalizões para eleger seus candidatos. A apresentação de Manuela como candidata a presidente foi audaciosa. Destinada a ser absorvida, a candidatura ficou à beira do precipício com a escolha de Katia Abreu por Ciro Gomes. Se Lula continuasse a recusá-la o PCdoB teria que enfrentar sozinho a competição presidencial, provavelmente não tendo votos para atender à exigência da lei eleitoral para a representação no parlamento. Estratégia bem traçada e bem executada.

Ciro Gomes é o único capaz de promover duas campanhas simultâneas. Katia Abreu dispõe de personalidade e capacidade de articulação que a permitem fazer campanha em um lugar enquanto Ciro circula em outra praça. Marina Silva ou Geraldo Alkmin não contam com tal recurso. No PT, já com o problema de informar a seu eleitorado que o candidato não é o Haddad, mas Lula, exceto se Lula for impugnado, Manuela não tem como se apresentar senão junto com Haddad, deixando claro que, se Lula for candidato, o vice não será o Haddad, ali presente, mas ela, que, por ora, não é nada. Um pequeno transtorno será explicar, caso perguntem, o que acontecerá com Haddad, se Lula for candidato: voltará a dar aulas no INSPER, colégio de radicais antipetistas, ou será confirmado, não como o mensageiro de Lula, mas como vice mesmo? Aí o destino incerto será da Manuela. Nada disso tem importância para o eleitor, segundo os estrategistas do PT e seus porta-vozes na imprensa alternativa, porque eleger Lula ou seu preposto é o que importa. Mais nada.

Quanto a programas, Marina Silva, não obstante assessores de peso, não abre mão de confundir o eleitor com seu estilo baixo austral de Augusto dos Anjos. As votações que tem obtido são o maior mistério do comportamento eleitoral brasileiro. Se ela afirmar que, com os erros e roubalheiras do passado recente, pior do que está não pode ficar, será considerada uma declaração socrática – tipo, eu só sei que nada sei -, embora um plágio de Tiririca, cuja votação é igualmente incompreensível. Alkmin dispensa apresentar programas porque já é conhecido há vinte anos. O cartapácio do PT rebobina programas conhecidos, acrescenta velhuscas bandeiras como um imposto sobre fortunas e ignora por completo o complexo desafio da revolução industrial ponto 4 sem fazer ideia do problema de emprego que o País terá pela frente. Refere-se à intervenção no mercado da informação, sem maiores esclarecimentos, e serve a fantasia de reforma política junto com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte. Mas a segunda, se cumprida, não promoveria a primeira? Talvez não, pois, segundo os pensadores petistas, os deputados não alteram as condições que lhes proporcionaram o mandato. Bem, fora a grosseira análise de como funciona um parlamento, onde pensam buscar candidatos e eleitores distintos dos atuais? Quanto a isso o programa oferece o conhecido escapismo de que tudo será feito depois de ampla consulta à população. Bem, não importa porque o projeto real é eleger Lula ou quem ele mandar.

O programa de Ciro Gomes tenta apresentar diagnósticos específicos de vários problemas materiais e esboça linhas de ação para minorá-los. Há substância para discussões relevantes, inclusive sua tese de que o presidencialismo é a fonte de todos os males e o parlamentarismo um primor de engenharia: se não está funcionando, o grupo deixa o governo e outra eleição, ou indicação do próprio parlamento, escolhe o grupo substituto. Não haveria o problema agônico da sucessão que precisa esperar quatro, cinco ou seis anos para solucionar um vexame como o de Michel Temer, por exemplo.

Ocorre que a Alemanha dos anos 30 era parlamentarista, na companhia de Portugal salazarista e outros da mesma cepa. Ciro está equivocado quanto à história das formas políticas. Em compensação, tem revelado conhecimento e preocupação com o ingresso do Brasil na ordem robótica, com a perspectiva de se tornar um dos países cronicamente proletários no mundo da automação. Mas todas as entrevistas são desperdiçadas com debates sobre o temperamento do candidato, suas relações com o PT e Patrícia Pilar. Ou seja, a imprensa convencional também não quer saber do programa de ninguém: já tem seu candidato tanto quanto parte considerável da imprensa alternativa. Pensamento único em todos os canais de comunicação.

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A ÓPERA TRISTE

A declaração do Partido dos Trabalhadores de que o candidato indicado será a sombra de Lula é uma declaração indecente. A naturalização da figura de “poste de Lula” como legítimo representante da população é acintosa. Trata-se de convite explícito ao eleitorado a que cooneste uma farsa, descrita com requinte. Segundo membros da Executiva do PT, o indicado terá que ser leal e limitar-se a ser o intermediário da palavra de Lula. Na campanha, dirá que todas as suas decisões serão decisões de Lula. Ora, jamais um candidato das forças populares teve a ousadia de se apresentar como boneco falante. As declarações, transcritas pelo jornalista Luiz Nassif, não foram contestadas.

Dilma Rousseff não foi porta voz de uma pessoa, mas de um projeto de nação. Talvez por isso leia-se em documentos pró-petistas, além de proclamado abertamente em conversas, ter sido ela a responsável pelo desastre do impedimento. Acusam-na de recusar ceder a candidatura, em 2014, ao imputado desejo de Lula de voltar ao poder. Na cegueira do descontrole, a oligarquia do PT não percebe a extensão do insulto com que recompensam a dedicação às causas populares de pessoas íntegras, de respeitabilidade independente de partidos, cujos nomes circulam como possíveis indicações de Lula. Na visão da Executiva do Partido dos Trabalhadores, seriam simplórios candidatos a moços de recado.

Causa amargor reconhecer a vitória dos reacionários curitibanos na tarefa de reduzir a histórica figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à de um obsessivo costureiro de futricas eleitoreiras e justiceiro de medíocres ressentimentos. Só um vírus de paranoia, inoculado pelas estrambóticas sentenças de Sergio Moro, explica o sacrifício de “leais” quadros partidários, como requer a Executiva, buscando, não a vitória, mas a derrota de supostos adversários. Por isso, mas não só, causa embaraço assistir Lula, sempre incorporado como um brasileiro comum, ignorado pelo poder elitista, anunciar em transe a própria transmutação em “ideia”, diante de enorme multidão, ali em apoio a um dos seus, pessoa de carne e osso, mortal como todos nós.

Mas Lula não é uma ideia, Lula é um brasileiro preso injustamente, vítima de notória perseguição política, e ao qual se castrou o direito de participar da vida pública. Razões mais do que suficientes para receber solidariedade ativa, não submissa, dos democratas socialistas e liberais. Restaurar a isonomia política no país, todavia, requer a derrota do continuísmo golpista nas eleições de outubro. Negligenciar a necessária vitória eleitoral dos democratas não equivale à celebração de uma derrota por ser moralmente reconfortante à facção islâmica do petismo. O custo real da derrota será exorbitante, inclusive para os moralmente extasiados.

A circunstancial ingratidão brasileira com um de seus maiores nomes não lhe acrescenta direitos além daqueles, cotidianamente feridos, de que dispõem brasileiros e eleitores comuns. Ser o arquiteto de uma estratégia, conforme vendida ao eleitorado, mas acobertando uma ópera, foi surpreendente; tê-la proposta ao eleitorado por “postes” partidários, uma ignomínia; tratar os militantes de primeira linha como abúlicos, um erro brutal. Lula comprometeu seriamente o descortino de estadista que possuiu enquanto um brasileiro homem comum. Vença ou perca a eleição, através de um mamulengo, Lula, o grande, sucumbirá ao nefasto projeto de Curitiba: não será mais um brasileiro comum; apenas um político comum.

ÚLTIMAS PALAVRAS

Segundo resultados do Paraná Pesquisas registrados no TSE (SP-05341/2018 e RJ-o6304/2018), obtidos, respectivamente nos dias 3 e 14 de julho, Jair Bolsonaro obteve 26,6% dos votos contra 25,5% de Lula, no Rio de Janeiro. Empate técnico. Em São Paulo, Bolsonaro aparece com superioridade estatística de 24,3% contra 21% de Lula. Ainda não chegou o momento em que pesquisas eleitorais façam sentido para mim. Publico esses dados para ilustração dos dirigentes do Partido Paulista dos Trabalhadores.

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LAVA JATO ELEITORAL

O momento sucessório expõe a vulnerabilidade do regime presidencialista às aventuras golpistas. A democracia requer o reconhecimento formal da vitória de um candidato pelo adversário derrotado. O formalismo não é apenas protocolar, mas indicador de que as instituições continuarão a funcionar com a plena cooperação (mesmo que na oposição) do lado perdedor. Talvez o maior número de crises com desenlace antidemocrático na América do Sul tenha por origem a recusa do derrotado a reconhecer a legitimidade do pleito. Não se trata de moléstia tropical, contudo. Entre outros não tão frequentes exemplos em países considerados estáveis, agora mesmo Donald Trump não se cansou de anunciar recusa prévia a outro resultado que não o de sua vitória. Possivelmente um blefe, e improvável que o estamento político norte-americano o acompanhasse se não o fosse. Mas os minutos entre o anúncio do vencedor e o reconhecimento público da derrota são os minutos em que a democracia fica em suspense; mesmo nos Estados Unidos.

Houve no Brasil minutos de alta tensão depois da vitória de Juscelino Kubitschek, com subsequentes e frustradas tentativas de invalidar o resultado por militares inconformados. Depois de mais de meio século, atravessamos a turbulência gerada pela bem sucedida trama de Aécio Neves, imediatamente transformada em sólido bloco político-midiático, desdobrada em impedimento da presidente Dilma Rousseff. No instante atual, não só a perspectiva da própria eleição desagrada a muitas figuras do atual condomínio como a condução do processo pré-eleitoral se faz por mal traçadas linhas, com cerceamento de políticos por razões altamente controversas e sussurros de que certos resultados seriam inaceitáveis. O momento de confusão de identidade envolvendo o Judiciário, especialmente as togas maculadas do Supremo Tribunal Federal, adiciona balbúrdia às suspeitas sobre a solidez das instituições.

Supondo ultrapassado sem estilhaços o desafio eleitoral, aí será a vez da prova dos nove da Lava Jato. Nenhum democrata aceita a hipótese de que as investigações sejam interrompidas. Ao contrário, ao longo de toda essa escavação espera-se o aparecimento de formas constitucionais de manter o Estado brasileiro, em todos os seus níveis, submetido a vigilância preventiva e reparadora de atentados à economia nacional. Por sua própria natureza, a demorada condução desse processo não pode permanecer em mãos de personagens claramente preconceituosos e seletivos, arbitrários e desafiadores dos cânones de normalidade da execução judiciária. Resultado e alimento da volubilidade e complacência do Supremo Tribunal Federal, o aparato envolvido nos absurdos cometidos por instâncias do judiciário, por agentes do Ministério Público e da Polícia Federal, há que haver imediatamente pós-eleição uma reformulação a jato do pessoal e das regras de conduta da investigação. Ou isso ou o novo presidente, por mais que privilegiado nas urnas, não governará com autoridade e autonomia.

Os partidos interessados deveriam mostrar ao eleitorado que o problema das eleições inclui avaliação sobre que candidatos teriam disposição e convicção democrática para colocar a Lava Jato a serviço do tesouro da nação, e não aos interesses de uma coalizão de conservadores.

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A SEDUÇÃO DA TIRANIA

A eleição presidencial de 2018 esteve ganha pela oposição enquanto a única referência dos conservadores era a associação com o monumental desastre de Michel Temer. Hoje, “Michel Temer” virou espantalho a ser inflado e agitado durante a campanha eleitoral. Mas não está claro se o eleitorado votará contra os conservadores por sua conexão ao golpe parlamentar ou se os favorecerá na renovada expectativa de derrotar um candidato, imbatível há quatro disputas, sustentado nuclearmente por PT, PSB, PDT e PC do B. Hoje, dilacerou-se o conjunto quatro vezes vencedor: o Partido dos Trabalhadores, hegemônico, não contará com os votos unânimes dos partidos que sempre o apoiaram e nem mesmo com a totalidade de seu próprio eleitorado. Hoje, a nuvem da política mudou drasticamente de silhueta.

Depois de sucessivas derrotas jurídicas e tímida resposta dos movimentos nas ruas, o PT iniciou o afastamento da realidade com a campanha autodestrutiva de que uma eleição sem Lula seria fraude. Não registrou a indiferença do aparato judiciário e policial às ralas manifestações de adesão nas grandes cidades, adotando o contraditório movimento de negar legitimidade às decisões da justiça e a ela recorrer, confiando no nobre critério de neutralidade dos operadores. Parecia agir na presunção de que ou as críticas contra o judiciário convinha como propaganda ou de que conseguiria persuadi-lo pela força dos argumentos.

As acusações da esquerda contra o Judiciário, contudo, têm granítica procedência. Infrações e arbitrariedades jurídicas fazem parte do consenso que inclui a avassaladora maioria dos partidos políticos, o eficaz mecanismo do sistema globo de informação para iludir a opinião pública, todos os órgãos de representação do capital e, por fim, a maioria do Judiciário, extensamente comprometido com aberrações jurídicas desde o julgamento da Ação Penal 470. E a cláusula pétrea do golpismo consiste em impedir o retorno da centro-esquerda ao circuito de poder político. Não se trata, aqui, de frívolo recurso de retórica partidária, mas refletido juízo sobre a dissimulada conspiração que o caricato impedimento de Dilma Rousseff desnudou.

Depois de reconhecido o vazio das ameaças de que o MST, substituindo a já clara impotência da CUT, ocuparia cidades e praças contra as arbitrariedades de Sergio Moro, a discussão sobre eventual resistência à ordem de prisão elevou os dirigentes petistas a superior patamar de desvario. Em seguida ao que jamais aconteceria, a prisão de Lula, o roteiro delirante aproveitou a solidariedade à indiscutível vítima de perseguição política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convertendo-a, por intimidação, em inaceitável culto à personalidade de um irreconhecível candidato presidencial Lula.

Hoje, há um Lula indulgente com o totalitarismo dos diretores do PT, da CUT, do MST, transtornado em fanatismo em muitos militantes, e candidato que mantém refém grande parte das forças populares. Mais preocupado em derrotar competidores em seu próprio lado do que impedir a vitória da reação. Todos os quadros do PT e partidos próximos, além de personalidades historicamente admiradoras do extraordinário ex-metalúrgico, têm sido apresentados a um enigmático Lula, messiânico e expropriador da vontade autônoma das forças populares. Antes, o destino de Lula se associara ao destino dos pobres; hoje, Lula pretende que o destino das massas se associe ao seu, aprisionado a um combate mesquinho contra um personagem nanico – o juiz Sergio Moro. Os democratas esperam que o preço não seja a vitória da reação, com o encarceramento real da população pobre a seu destino miserável.

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CIRO GOMES E A LAVA JATO: UMA DÚVIDA ESSENCIAL

Sempre que perguntado se é a favor da Lava Jato o pré-candidato Ciro Gomes responde com um peremptório “sim”. Nem a pergunta nem a resposta são sérias. Os entrevistadores cumprem um protocolo sem precisar o objeto da pergunta, mas a resposta do pré-candidato merece escrutínio. Em seus inícios, a Lava Jato indicava, para uns, sério e inédito combate à corrupção “sistêmica”; para outros, armadilha jurídica para destroçar o PT e seu líder máximo, Lula. Fosse lá o que fosse hoje não é, exclusivamente, nem uma nem outra coisa, exceto para ingênuos ou distraídos entrevistados. Ciro Gomes também não é ingênuo ou distraído.

Único dos candidatos a discutir claramente parte de um programa de governo, Ciro expõe de modo consistente o que considera a principal agenda dos problemas brasileiros, dá sua explicação para a origem deles e costuma descreve-los quantitativamente, quando possível, o estado em que se encontram, e as medidas que tomará como presidente. Não se encontram contradições entre as entrevistas e palestras vindas a público. O eixo das propostas é, naturalmente, a economia, mas conviria ser igualmente articulado sobre temas como saúde, educação, segurança pública, meio ambiente, ciência e tecnologia e, neste, o impacto da automação em países como o Brasil, faminto por empregos de modestos requisitos especiais. Com a franqueza que advoga e debate, seu peremptório “sim” à Lava Jato é inaceitável sem maiores explicações.

À parte os notórios benefícios das investigações sobre corrupção e corruptores, de há muito a Lava Jato tornou-se algo muito mais complexo do ponto de vista judicial, político e constitucional. Se a acusação de perseguição ao PT deixou de ser exclusiva, apesar dos notórios esforços de Curitiba, para assim mantê-la enquanto foi possível, decisões sobre instâncias de julgamento de políticos do PSDB não têm sido isonômicas em relação aos políticos do PT e de outros partidos. Os vazamentos seletivos durante a fase mais intensa da exposição dos então apenas alegados crimes dos políticos petistas, que desapareceram depois que as investigações incluíram outras legendas e personagens, a escuta ilegal da conversa telefônica entre Dilma e Lula e sua divulgação, a condução coercitiva de Lula, abortada em seu objetivo de transporta-lo secretamente a Curitiba, as prisões preventivas e relatos críveis de que sejam usadas como eficaz tortura, e não cabe considerar o termo excessivo, o espetáculo de péssimo gosto e educação do evangélico Deltan Dallagnol e seu powerpoint, fundado, segundo confessou, em “convicção”, são algumas das peripécias que fazem parte integral da “Lava Jato”. O pré-candidato Ciro Gomes é favorável a isto?

Bem entendido, cidadão de posse de todos os direitos civis e políticos assegurados por nossa Constituição, Ciro Gomes tem absoluta autonomia para decidir o que apoiar ou combater.  Mas, como pré-candidato à Presidência do Brasil, uma resposta automática ou meramente protocolar a pergunta de tantas implicações ofende a todos aqueles cidadãos de bem, intolerantes da corrupção, mas do mesmo modo intolerantes a concepções preconceituosas e corrompidas do exercício do poder, seja judiciário, econômico ou político. Há dúvidas sobre o que pensa Ciro Gomes em matéria de arbitrariedades pessoais.

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